Fanfic – Doubt & Trust

A lua. Linda e no alto de seu esplendor, iluminando a noite com seu lindo brilho branco. Uma paisagem encantadora para qualquer pessoa que parasse para ver a incrível visão. Era uma noite de domingo e andava sem muito entusiasmo pela rua calma e perigosa devido ao horário que já era avançado, mas não me importei com isso. Olhava para a lua e aquela visão era como se eu fosse como a lua, sozinha lá em cima, sem ter alguém para acompanhá-la, apenas as estrelas. Será que elas eram boas companheiras? Será que entendiam a dor que a lua passava em silencio? Eu sei, perguntas como essas não fazem sentido, mas no momento era assim que me sentia. Nunca fui do tipo de garoto que se preocupa com esse tipo de coisa, mas agora era diferente.

Muitas coisas aconteceram de uns meses para cá, e nunca imaginei que apenas uma pessoa pudesse me fazer ficar desse jeito. Quando chego perto para conversarmos, sinto uma grande alegria, ao mesmo tempo em que sinto um aperto no peito por senti-lo um pouco distante, e pra melhorar a situação, quando estamos longe sinto a mesma coisa. Afinal, eu gosto de ficar perto ou longe dele? Não entendo nada desses assuntos, mas sei o suficiente para saber que estou apaixonado. E também sei o suficiente para saber que ele só deve me ver como um Jyuudaime, afinal, nem pelo meu nome ele me chama. Estou me sentindo igual a esses personagens de romances, que vemos em qualquer livro ou filme. Exceto pela parte de ficar sonhando com a pessoa, de querermos que ela esteja ao seu lado… Tá, essa parte também é verdade. Não gosto e nem possui a habilidade de mentir bem. É só que… Eu não sei mais o que fazer a respeito disso e não sei até quando irei aguentar sem lhe dar um beijo…

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A lua. Realmente um lindo astro. Sua luz juntamente com a das estrelas ajudam a dar um ar mais romântico à noite. Hoje em especial, é noite de lua cheia. Caminhando pelas ruas desertas e pelos becos desta cidade, fico pensando sobre a vida. Sobre as coisas/pessoas que são importantes para mim e que eu não seria capaz de deixa-las ir embora nem por todas as… Bem, eu não sei o que posso usar para comparar, mas o que importa é que não as trocaria por nada e uma dessas pessoas é o Jyuudaime. Sempre sorrindo (exceto quando se trata da máfia), não apenas para mim, mas para todos. Isso me irrita um pouco. Porque não pode ser apenas para mim?Hum… Deixando isso de lado, a verdade é que ele foi o primeiro a me aceitar como eu sou sem exigir nada de mim.

Muitos devem pensar que eu só o vejo como um Jyuudaime, o venerando como se ele fosse um deus ou coisa parecida, porém, isso é apenas um jeito de tentar esconder meus verdadeiros sentimentos. Seria estranho se ele descobrisse o que sinto por ele. Nossa relação não ia mais ser a mesma tenho certeza. Provavelmente ele não teria coragem de me mandar embora, mas… Mesmo assim, já e conformei com essa realidade ou pelo menos, penso que já. Às vezes tenho vontade de abraça-lo e roubar um beijo daqueles lábios rosados… Isso não passa de um sonho distante.

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Andavam na noite sem prestar atenção aonde iam. Cada um pensando em seus próprios problemas e em como os resolver, ou no mínimo de amenizar o estado em que se encontravam. Deixando nos seus pés o dever de guia-los por aquelas ruas já bastante conhecidas por ambos. Realmente, é como dizem. Nunca se sabe o que o futuro nos aguarda, não é mesmo?Afinal, a vida é como uma caixinha de surpresas.

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Continuei andando até pisar numa pedra. Grande e pontuda. Dizem que quando nos machucamos vemos estrelas certo? Então, eu vi todas as constelações que existem no universo de tanta dor que eu senti. Parei de andar e olhei para o lado. Era o parquinho. Dei um pequeno sorriso e entrei, sentindo a garoa em meu rosto e inalando aquele ar que era uma mistura de areia com o cheiro das folhas das arvores, um vento frio… Extremamente relaxante. Sentei no balanço e fiquei encarando o chão enquanto o movia lentamente. Eu realmente amava aquele lugar. Ouvi uns passos e pelo jeito, a pessoa estava apressada. Os passos eram rápidos e certos. Virei meu rosto para saber de quem se tratava (se eu a conhecia ou se era perigosa…). Quando me virei, desejei nunca ter ido até aquele parquinho, naquela noite de lua cheia.

-Gokudera-kun?

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Precisava fumar. Estava nervoso e a nicotina me ajuda a pensar melhor. Peguei um cigarro e o pus na boca. Como eu disse me acalmou um pouco, porém, apenas até o cigarro acabar. Com o fim da nicotina, toda a calma que eu tinha acumulado se esvaiu. Peguei a caixa e constatei que aquele era o último. Droga! Porque eu não comprei mais antes das padarias se fecharem?Chutei uma lata de lixo que estava no caminho. Não me ajudou muito, mas deixei assim mesmo. Voltei a caminhar, mas agora em direção a um lugar especifico em que eu sempre vou quando estou depressivo. O parquinho. Eu sento na cadeira do balanço e fico pensando na vida. Virei alguns becos, atravessei umas ruas e estava em frente ao parque. Comecei a correr para chegar lá o quanto antes, mas algo me impediu de continuar. Vi uma silhueta de costas para mim iluminada pela luz do poste. Era pequena, magra e tinha uns cabelos que sou capaz de reconhecer não importa onde esteja. Era o Jyuudaime. Eu tinha que dar meia volta e correr antes que ele me visse…

-Gokudera-kun?

Pelo jeito não conseguiria mais fugir, afinal ele me viu. Teria que ficar e encarar.

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Ficaram se encarando por um bom tempo. Queriam falar, mas as palavras estavam presas na garganta. Ambos se sentiam patéticos por não conseguir falar o que queriam. Gokudera por achar que um romance entre um subordinado e seu chefe era um absurdo e Tsuna por achar que ele só o via como um jyuudaime. Ambos tinham medo de serem rejeitados.

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– Jyuudaime. Eh… O que faz aqui a esse horário? É perigoso. Sua mãe deve estar preocupada.

-Não esta não Gokudera-kun. Eu disse a ela que iria dormi na casa de um amigo meu.

O mais alto com passos largos, caminhou com calma em direção a Tsuna que estava de cabeça baixa, encarando a areia desde que o viu. Ajoelhou-se na sua frente e colocou suas mãos em seu pescoço, de modo a levantar seu rosto para poder encará-lo. O semblante de Tsuna era triste. Gokudera sentiu um aperto tomar conta de si após ver seu rosto.

-Jyuudaime. Aconteceu alguma coisa? Você esta bem?

Será que tinha acontecido alguma coisa a Tsuna? Se alguém ousou encostar uma unha que fosse nele, não hesitaria em matar essa pessoa.

-Estou bem Gokudera-kun. Não aconteceu nada comigo. Não se preocupe.

-Mas Jyuudaime… Que cara é essa?

-Estou… Confuso.

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Tsuna sabia que àquela hora era boa. Tsuna sabia que não tinha ninguém na rua, portanto, se levasse um fora ninguém ia saber. Tsuna sabia que se não falasse agora o que sentia, talvez nunca mais tivesse uma chance e coragem como agora. Estava na hora de deixar esse peso para trás. Tudo na vida tem sua primeira vez e não descartava a ideia de se declarar.

Gokudera sabia que outras pessoas também gostavam de Tsuna, como o Hibari e o Mukuro. Gokudera sabia que a qualquer hora um deles podia facilmente roubá-lo para si e então nunca mais seria capaz de tê-lo. Mas, diferente de Tsuna, Gokudera não estava pensando em se declarar, muito pelo contrário. Estava pensando em nunca revelar seus sentimentos.  

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– Confuso? Por quê?

-Olha Gokudera-kun, vamos fazer uma suposição. Digamos que você esta apaixonado. Não importando se é homem ou mulher. O que você faria?

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Essa pergunta o pegou de surpresa. Não a esperava. Tsuna o encarava olhando fundo em seus olhos. Não seria capaz de mentir, pelo menos não dessa vez.

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– Bem… Eu… Eu não sei. Talvez eu gostasse de me declarar para que no mínimo a pessoa soubesse dos meus sentimentos, mas eu não sei… Talvez o meio que essa pessoa viva não permita tal coisa… Talvez eu prefira esconder meus sentimentos para que nunca fosse descoberto… Talvez o medo de ser rejeitado… Enfim, não sei.

– Entendo… Bem, se fosse comigo, eu acho que teria medo da rejeição, mas conseguiria viver com ela. O amor é um sentimento muito valioso. E só o sentimos pelas pessoas mais importantes para nós. Eu acho que… Bem… Eu acabaria falando depois de um tempo, pois se essa pessoa ficasse com outra sem saber de meus sentimentos eu… Eu não me perdoaria.

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Gokudera absorveu aquelas palavras. Será que ele também não iria conseguiria se perdoar? Será que ele tinha alguma chance?

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– Realmente. Foram lindas palavras jyuudaime. Agora eu posso te fazer uma pergunta?

-Claro.

-Você está apaixonado por alguém? Homem ou mulher?

– Sim.

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Naquela hora Gokudera sentiu todo seu mundo desmoronar. Perguntou só por curiosidade mesmo e a resposta foi positiva. Será que é pela idiota (Haru)? Ou pelo Hibari? Essas perguntas pairavam na cabeça de Gokudera, mas só tem um problema. Ele fazia muitas suposições, mas esquecia de uma coisa. Em nenhuma delas ele se colocou junto. Pensava no Tsuna com as mais variadas pessoas, mas esquecia de si. O único que o menor realmente queria. Estava estampado na cara dele.

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-Er… Que bom Jyuudaime.

-Ué? Não está curioso para saber quem é?

-Não, obrigado. Prefiro ficar sem saber.

-Prefere ficar sem saber é? Mas… Eu vou falar mesmo assim.

-Jyuudaime…

-Ele é mais alto do que eu.

-Mas quem não é mais alto que você jyuudaime? Só o Lambo e o Fuuta mesmo…

-Haha muito engraçado. Continuando, Ele…

-Espera Jyuudaime.

-O que foi?

-Você disse “ele”?

-Sim. Eu disse “ele”. Algum problema?

-Não, pode continuar.

-Hum… Vejamos. Ele é um pouco idiota, é estressado e gentil, tem uma irmã, é engraçado, tem confiança em si, tem um corte de cabelo diferente, embora eu ache encantador. A cor do cabelo é branca. Ele sempre usa muito anéis e cordões, fuma, o que é um habito nem um pouco saudável devo dizer…

-Jyuudaime, eu…

-Espera! Não acabei de falar ainda. Ele está na minha frente e faz meu coração disparar a cada vez que… Cada vez que eu olho pra ele. Sabe de quem eu estou falando Gokudera-kun? Tem alguma ideia?

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Gokudera estava sem palavras para descrever o que sentiu naquele momento. Será que ele tinha escutado direito? Tsuna havia feito uma declaração para ele naquela noite, naquele parquinho, em que estavam apenas os dois ate aonde a vista alcança devido à hora que já era avançada? Levantou a cabeça e olhou para o menor. Seu lindo rosto estava brilhando mais que a lua e seus olhos não ficavam para trás em relação à beleza e ao brilho. Nunca vira Tsuna com um semblante sereno e calmo como esse. Realmente, ao encarar aqueles olhos o maior teve certeza que sabia de quem se tratava. Era dele. Tsuna gostava dele! Todos seus medos naquela hora sumiram todas as incertezas que sempre rodeavam sua mente também sumiram. Sentiu-se completo como nunca antes.

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– jyuudaime… Eu… Eu não sei o que dizer.

-Sabe sim Gokudera-kun. Pense e olhe bem fundo dentro de você. Sei que você saberá a resposta.

-Mas… Jyuudaime. Mesmo se eu responder o que você e eu gostaria de ouvir, nunca poderíamos ficar juntos.

-Porque não?

-Jyuudaime. Você… Você é o chefe. Eu sou apenas um subordinado, não sou digno.

-Gokudera… Eu nunca pensei em você como um subordinado.

-Não?

-Não. Nem você e nem os outros. Para mim vocês são amigos importantes que nunca conseguiria abrir mão. O motivo para “estar” na máfia até hoje, é porque eu coloquei vocês nessa. Não poderia ir embora e abandonar vocês.

-Jyuudaime…

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Gokudera pensou em como tinha sido idiota durante todo esse tempo, achando que nunca teria uma chance. Levantou-se e ficou em pé enquanto tsuna permaneceu sentado no balanço. O maior puxou seu braço com delicadeza, fazendo-o sair do balanço e ficar de pé de frente para ele, envolvendo seus braços em sua cintura o trazendo para mais perto. Sussurrou um pequeno “eu te amo” no ouvido de Tsuna fazendo-o arregalar os olhos. Tinha escutado direito? O menor sentiu a mão de Gokudera em sua nuca. Sabia o que viria a seguir. Colou seus braços em volta do pescoço do maior e olhou para seu rosto, e constatou que ele fazia o mesmo. Sem perder mais tempo, Gokudera  aproximou seus lábios do outro e sentiu que eram quentes e macios, muito melhor do que sempre imaginou. E Tsuna percebeu que havia valido a pena toda a demora. Era um beijo calmo, que foi se intensificando com o passar do tempo. Separaram-se em busca de ar sem soltar do abraço. Então, de mãos dadas, gokudera o puxa para fora da areia do parquinho, o levando em direção a grama. Deitaram e ficaram observando a lua.

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-Jyuudaime.

-Hum?

-A lua é linda. Você não acha?

-Sim

-Principalmente a lua cheia. Pra mim é a fase da lua mais bonita.

-É? Por quê?

-Porque hoje é noite de lua cheia.

-Gokudera-kun…

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Aproximou-se e roubou mais um beijo do menor a sua frente. Um beijo calmo e sereno. Como a lua que brilha no céu.

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-jyuudaime, quer dormir na minha casa?

– Sim.

-então eu vou te levar. Mas antes eu quero mais um beijo.

-Mais um beijo é? Hum… Não sei… Talvez, se você conseguir me pegar…

-jyuudaime! Onde você tá indo? Volte aqui!

-Nãooooooooooo

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Amor não é se envolver com a pessoa perfeita, aquela dos nossos sonhos. Não existem príncipes nem princesas.

Encare a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando suas qualidades, mas sabendo também de seus defeitos.

O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.

 Katekyo.Hitman.REBORN!.600.534887

Sarah

Estudante de Nutrição, que ama a cultura asiática, animes, kpop e jpop. Anime preferido: Katekyo Hitman REBORN!